Antes de simular um crédito, quase toda a gente faz a mesma pergunta: com o meu salário, quanto consigo pedir emprestado? A resposta não depende só do valor que entra na conta todos os meses. Depende, acima de tudo, de uma conta que os bancos e as instituições de crédito fazem sempre antes de aprovar um pedido: a taxa de esforço. Perceber como funciona ajuda a pedir um valor realista. E a não assumir uma prestação que, na prática, aperta o orçamento mais do que o previsto.

A taxa de esforço mostra que parte do rendimento mensal líquido fica comprometida com o pagamento de créditos. É o valor que sobra depois de descontos como IRS e Segurança Social. Inclui a prestação do crédito que está a pedir, mas também todas as outras prestações que já existam: crédito habitação, crédito pessoal, crédito automóvel, cartões de crédito com plano de pagamento ou qualquer outro compromisso mensal fixo. Quanto mais alta for essa percentagem, menor a margem que resta para as despesas do dia a dia e para imprevistos. É exatamente por isso que as instituições de crédito a usam para decidir se um pedido é sustentável.
O cálculo é mais simples do que parece, e pode calcular-se em casa antes de sequer pedir uma simulação.
Um exemplo prático: alguém com 1.500 euros líquidos por mês já tem uma prestação de 200 euros de um crédito automóvel. Se ponderar pedir mais 250 euros, soma 450 euros de esforço total. 450 a dividir por 1.500, vezes 100, dá 30%. É só um exemplo para ilustrar as contas. Na prática, o valor de cada prestação varia consoante as condições que a instituição de crédito propuser, nomeadamente a taxa de juro e o prazo.
O Banco de Portugal recomenda às instituições de crédito que tenham em conta um limite de referência para este indicador na avaliação de novos créditos à habitação e ao consumo: o DSTI (debt service-to-income, ou seja, o peso da dívida sobre o rendimento). Este limite desce de 50% para 45% do rendimento líquido a partir de agosto de 2026. A margem extra serve para o caso de as taxas de juro subirem ou o rendimento cair. Ou seja, na generalidade dos casos, todas as prestações mensais somadas não deveriam passar dos 45% do que a pessoa recebe já com os descontos feitos.
Convém perceber que se trata de uma recomendação macroprudencial, não de um limite fixado por lei igual para toda a gente. Cada instituição pode aplicar critérios próprios. E a própria recomendação do Banco de Portugal admite uma margem: até 10% do montante total de crédito concedido por cada instituição, em cada semestre, pode corresponder a contratos com uma taxa de esforço acima dos 45%. Isso não dá a qualquer pessoa o direito automático a essa exceção. A decisão final depende sempre da análise de risco que cada instituição faz a cada pedido concreto.

Nem sempre. A taxa de esforço é sempre uma relação entre o que se ganha e o que já se paga em prestações, não um valor absoluto de rendimento isolado. Uma pessoa com um salário elevado, mas que já tem vários créditos em curso, pode ter uma margem de crédito disponível mais reduzida. Isto acontece mesmo face a alguém com um salário mais modesto e sem compromissos financeiros. Por isso, antes de pedir um novo crédito, faz mais sentido olhar para a taxa de esforço total do que apenas para o valor do salário.
Além da taxa de esforço, há outros fatores que as instituições de crédito costumam considerar:
Ajustar o prazo do crédito é uma das formas mais diretas de mexer na taxa de esforço. Alargar o prazo baixa a prestação mensal e pode aproximar o pedido do limite considerado seguro. Mas tem sempre um custo, porque o total pago até ao fim do contrato tende a ser mais elevado. É uma troca que vale a pena ponderar com calma, em vez de escolher automaticamente o prazo mais longo.
Fazer as contas antes de avançar com um pedido de crédito pessoal ajuda a pedir um valor ajustado ao orçamento. Em vez de partir de um montante desejado e tentar encaixá-lo à força. Se já existirem vários créditos em curso e a taxa de esforço estiver perto do limite, pode fazer sentido perceber se um crédito consolidado ajuda a reorganizar essas prestações antes de assumir um novo compromisso. Juntar créditos numa só prestação pode reduzir o esforço mensal, embora normalmente aumente o prazo total de pagamento. O artigo sobre como funciona a taxa de juro no crédito em Portugal ajuda a perceber outro fator que influencia diretamente o valor da prestação mensal calculada neste exercício.
Antes de simular um crédito, vale a pena parar e responder com honestidade a algumas perguntas. Qual é, hoje, a soma de todas as prestações que já paga todos os meses? Essa soma, mais a prestação que está a considerar pedir, fica confortavelmente abaixo do seu rendimento líquido, ou já se aproxima do limite? Está a escolher o prazo do crédito a pensar apenas na prestação mensal, ou também no custo total que vai pagar até ao fim? Pedir uma simulação sem compromisso é uma forma simples de confirmar estas contas. Mostra a prestação real associada ao valor e ao prazo que está a considerar.
Calcular a taxa de esforço antes de pedir um crédito muda a forma como a pessoa toma a decisão. Em vez de partir de um valor desejado e esperar que a instituição o aprove, a pessoa passa a saber, com alguma antecedência, se esse valor é realista. Face ao rendimento e aos compromissos que já tem. Isto não elimina a análise de risco que a instituição de crédito faz, mas reduz a distância entre o que a pessoa espera e o que a instituição pode efetivamente aprovar.
Quanto crédito pode ter com o seu salário depende menos do valor do rendimento isolado. Depende mais da relação entre esse rendimento e as prestações que já tem em curso. A taxa de esforço é a conta que resume essa relação, e é também a que as instituições de crédito usam para decidir se um pedido é sustentável. Calculá-la antes de avançar ajuda a pedir um valor ajustado à sua situação real. E a perceber se o problema está no montante pedido, no prazo escolhido ou nos compromissos já existentes.
Se quiser perceber, com base na sua situação concreta, que valores e prazos podem fazer sentido, pode consultar como decorre o processo de pedido de crédito. Ou pedir uma simulação sem compromisso junto da Empréstimo Urgente, marca da Actualtarget, Lda., Intermediário de Crédito Não Vinculado, Registo BdP n.º 1618, para avaliar as suas opções antes de decidir.
